Deixa-me desistir de ti Como num encontro repetido entre penas de mil eras E traçado em véus de fumos mutilados, Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos E a força de toda a vontade Na concretização de uma visão que mão me pertencia.
Será o silêncio a minha promessa, O vazio como futuro De quem deixou as asas rasgadas no chão, E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada Nos primórdios do poema.
Não sou ninguém… Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado, Um grito no amanhecer E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota Que estrangula o meu olhar.
Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios E morrer dentro da cruz, Como um corvo em voo de hecatombe Rasgando os céus da última alvorada, Um sonho aberto à lâmina dos deserdados, Um cântico na morte…
Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos E me deixes desistir De mim.