segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mordaça


Não quero mais escrever
Palavras que imponham ao mundo o silêncio dos meus braços
Nem deixar no eco as chamas do paraíso invertido
Que plantei dentro de mim.
Não quero voltar a olhar por dentro das miragens
Para encontrar nos olhos do abismo as asas da desilusão
Que me mutilou a voz
E adormeceu nos destroços do meu túmulo menor.
Não quero mais plantar no meu corpo as cicatrizes do deserto,
As mãos que me despertam a mordaça do destino
E estrangulam o meu grito no silêncio dos esquecidos
Que apenas em sonhos voam como asas na escuridão.

Serei talvez o contraponto da minha fuga,
Talvez apenas o silêncio de uma sinfonia flagelada
Pelos contratempos do olhar,
Talvez gaivota perdida em fundas covas de corvo,
Esfinge invertida em céus de Fénix morta
Nos cadáveres vencidos de uma batalha sem espaço,
De um sonho sem lar.

Não quero, mesmo assim, cantar nas pautas da miragem
A minha elegia de céu
Para chorar apenas gritos no soluçar dos primórdios
Do adeus que escolheu o meu silêncio.
Não quero mais morrer em braços de cruz magoada
E abrir nas chagas de um verso o desalento dos caídos,
Pois não sou senão uma lágrima banhando os lábios do anjo
Que canta por dentro da morte
E morre também.

sábado, 13 de dezembro de 2008

o EsCoNdE eScOnDe



Imaginei uma melhor metempsicose de mim,
Juntei-lhe mil e um espelhos de revérberos mais sombrios.
Há jogos, no voltarete, com cartas esfarrapadas,
Há olhos enleados,
Faúlhas de inferno a lamber os cabelos,
Caruma seca,
Fotões em namoro,
Mercas das próprias almas…
Há deuses sem persuadidos,
Anjos desasados e desnorteados,
Corpos inenes que querem amar,
Imaculados segredos devorados sem motivo.
Há mundos de nada,
Borboletas sem memórias,
Apenas rumando sem saber para onde, nem porquê.
No fundo somos todos a unção dos enfermos,
Almejando o toque das Ave-Marias.
Somos a chave do enigma sem o pedagogo,
Somos a boneca de trapos com a fome dos que não são imortais.
De peitos enchumaçados a pelúcia.
Somos fetos em caleidoscópios de alizarim, âmbar, ametista , fúchsia,
Gelo e fogo...
Duas coisas iguais a uma terceira,
Iguais entre si,
Somos rectas que se cruzam,
Didaquês desfolhados.

Dão-nos à escolha:
Vamos tomar o selo de Salomão ou a caixa de Pandora?
Transubstanciamo-nos?
Dão-nos outra escolha:
Presbítero ou diácono de Lúcifer?

Roleta de infinitas voltas.
Sinto-me Duce, Doge, Logóteta, voivoda,
Sua santidade, Sua Majestade Apostólica, Sua Majestade Imperial e Real,
Sua Majestade Fidelíssima, Sua Alteza Real, Sua Alteza Sereníssima…
Como estou enganada,
São tudo jogos de azar.
Dulia em sexta-feira treze.
Atira os meus dados,
Escolhe a cara ou a coroa.

Eu prefiro ouvir esclarmonde
Enquanto brinco ao esconde-esconde.
"Darkness cannot drive out darkness; only light can do that. Hate cannot drive out hate; only love can do that."
Templates by Morgana 13 LuasListenning to: Divine Heresy- Bleed the fifth

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Firmamentos de Cristal

A estrela de um silêncio que se expande
Nas horas de um corpo embalado em sonhos ausentes,
Cintilação de espelhos estilhaçados
Em verso de mágoa e lágrima derramada…
A estrela do infinito que nunca fui…

De mais alto que todos os esplendores,
Pingente de cristal embalado em leito de veludo negro,
Tem olhos de mais cores que os ecos da sedução
E é somente uma, sublime entre sublimes,
Mais uma estrela na minha constelação.

Mas ver-me-á, talvez, nos desertos da minha própria negrura,
Peregrina de uma fé que o silêncio consumiu,
Quando, no embalo do meu sonho, sou eu a estrela,
No sussurro enlevado de mais horas e mais séculos
Que todos os que me iludem na noite da imaginação.

A estrela…
A luz que faria resplandecer as sombras do meu corpo
No seu etéreo baile de cristal
E que me envolveria nas mais suaves memórias,
As melodias dos sonhos que mal acabaram de nascer.
A estrela do manto de seiscentos brilhantes
Que me envolveria no seu abraço imortal.

Mas estrela cega diante da infinita luz
Que fecha os olhos à minha promessa de redenção…



domingo, 16 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Top festivais

Há que pensar na resolução de novo ano, eu já me decidi: engraxar os paizinhos para ir aos grandes festivais , que prometem ser os melhores!!
Aqui vai a listinha:

1. Arrow Rock Festival - Holanda (De Outubro a Março)
Site oficial: http://www.arrowrockfestival.nl/page.asp?id=40&LNG=EN

2. Bang Your Head - Alemanha (26 e 27 de Junho de 2009)
Site oficial: http://www.bang-your-head.de/english/ehome.php

3.Bulldog Bash - Inglaterra (6,7,8 e 9 de Agosto de 2009)
Site oficial:http://www.bulldogbash.eu/

4.Dong Open air festival- Alemanha (3ª semana de Julho)
Site oficial: http://dong.walismus.de/index.php?lang=en

5.Dour Festival - Bélgica (Julho)
Site oficial: http://www.dourfestival.be/en

6.Dinamo Open Air - Holanda
Site oficial: http://www.dynamo.nl/news.html

7.Emissions from the monolith- Texas, E.U.A. (algures em Maio)
Site oficial: http://www.emissionsfromthemonolith.com/

8.Maryland Deathfest - Baltimore, E.U.A. (22-24 Maio de 2009)
Site oficial: http://www.supremebrutality.com/

9.Metal & Hardcore festival - New England, E.U.A. (algures em Abril)
Site oficial :http://www.metalandhardcorefestival.com/

10.Download Festival - Inglaterra (12,13 e 14 de Junho de 2009)
Site oficial: http://www.downloadfestival.co.uk/home/

11.Ozzfest - E.U.A. (ainda sem data)
Site oficial: http://www.ozzfest.com/

12.Wacken Open Air - Alemanha ( o que eu dava para ir a este festival!!!!)
Site oficial: http://www.wacken.com/
Em comemoração aos seus 20 anos, o Wacken Open Air vai sair da Alemanha pela primeira vez e será realizado também em Maio de 2009 no Brasil, mais precisamente nos dias 09 e 10 de Maio em São Paulo.

13.Metalcamp- Eslovénia (2-7 de julho de 2009)
Site oficial: http://www.metalcamp.com/index2.php

14.Caos Emergente - Recarei, Portugal (Algures em Setembro)
Site oficial: http://www.myspace.com/caosemergente

15.Sauna Open Air Festival - Eteläpuisto, Finlândia (6-8 de Junho de 2009)
Site oficial: http://www.sauna-open-air.fi/

16.Queens of metal - Alemanha (10-18 de Junho de 2009)
Site oficial: http://www.queens-of-metal.com/start.htm

17.Inferno festival - Noruega (o8-11 de Abril de 2009)
Site oficial: http://www.infernofestival.net/

18.Under the black sun festival - Alemanha (3 e 4 de julho de 2009) Site oficial: http://www.myspace.com/undertheblacksunfestival

19.Party san open air- Alemanha (6 a 8 de Agosto de 2009)
Site oficial: http://www.party-san.net/

20.PRIEST FEAST' TOUR - Judas Priest, Megadeth e Testament - Pavilhão Atlântico - 17 de Março de 2009 finalmente!!!! Os bilhetes vão estar à venda a partir do dia 21 de Outubro! Podem confirmar aqui http://judaspriest.com/tour/default.asp

21.Tuska- Helsinki, Finlândia (26-28 de 2009)
Site oficial: http://www.tuska-festival.fi/2008/eng/press.php?action=view [o que eu dava para ir a este também!!!]

22.Liperske- Santa Marta de Penaguião, Portugal (ainda sem data) Site oficial: http://enctsonm.com/Liperske/

Este ano parece que não há rock in rio, esperemos que ao menos haja Vilar de Mouros!!! A lista está incompleta, mas eu depois vou fazendo os updates, não hesitem em comentar e dar sugestões de outros concertos que achem relevantes.
Cya ;)

Carla, a tecedeira de sonhos


Eu tinha de falar na minha cara amiga Carla que, para além da amizade que sinto por ela, sinto também uma enorme admiração pela obras (que são muito poucas lol) que ela tem feito nos últimos anos.
A Carla é a modos que o meu Dédalo, capaz de semear as asas mais prolixas e variegadas. Ler um livro da Carla é como que ganhar olhos caleidoscópicos, as cores deixam de ser simples, para passarem a ser as formas mais multimodais de âmbar, ametista, branco navajo, caqui, carmesim, esmeralda, fúchsia, índigo, jade, malva e rútilo. Somos capazes de metempsicoses, podemos ser uma Fénix de tons incandescentes, gárgulas que sacodem a pedra e descasulam as asas do seu sono empedernido, valquírias em busca dos seus guerreiros, sereias nadando até ao âmago do oceano, unicórnios correndo pelos trigais…
Herdeiros de Arasen é uma daquelas sagas que se lêem e relêem, como se as folhas estivessem revestidas de espelhos, podemos ver a nossa alma através dela. Desnudamos o coração, tornamo-lo um puzzle, mescla de sentimentos que não podemos controlar: alegria, tristeza, raiva, frustração, vitória, derrota. Como dizia Mário de Sá-Carneiro, no fundo todas as flores que se vão despetelando têm o mesmo âmago, e esses dois sentimentos que comandam a vida são o amor e o ódio.
Se nos desconstruirmos a nós próprios e recolarmos os pedaços, voltaremos a ser, de novo, toda essa mistura de amor e ódio.
Como descrevemos o amor? Como descrevemos o ódio? Como se descrevem os achaques permanentes que se têm na vida?
Nada melhor do que seguir a vida de Sirius Arasen, todo ele é, permitam-me que o diga, uma parte de nós, mas, mais abluída.
Imaginem um quadrado onde deveria estar um círculo, uma mentira que, mesmo contada mil vezes fica exactamente igual ou verdade, um coração fantasma no peito, um céu feito de flâmulas, anjos abraçando demónios, uma árvore do conhecimento do bem e do mal que murche para todo o sempre. É difícil? Então imaginem uma caixinha que contenha todos os mundos fantásticos, todas as personagens que gostaríamos de vestir, todos os sorrisos que gostaríamos de dar, todos os pares de olhos que gostaríamos de usar… Não gostariam de a abrir?
A Carla foi sem dúvida a pessoa com que tive mais prazer em trabalhar, não só porque é a escritora maravilhosa que conhecemos, mas também por ter sido e continuar a ser uma amiga sublime. Imaginem o que é ter como amiga uma tecedeira de sonhos! Eu respondo por mim: é espectacular. Vislumbrem então essa caixa-segredo que é a Carla, não se vão arrepender.
Ela é linda, inteligente e acima de tudo ele é a fácies do que todos os escritores deviam ser: o sonho na sua forma mais excelsa e humilde.
Deixo-vos algumas frases:
“ O silêncio não apagará o que aconteceu e a memória grita de agonia.
Recusar a verdade não a fará desaparecer”
“As almas que imperceptivelmente haviam preenchido o seu coração vazio”
“A mais universal linguagem do sofrimento: as lágrimas”
“A mágoa de tudo aquilo que sucedera consumiu-o por dentro, como um fantasma indesejado, mas que jamais poderia ser afastado”
“Deixa de tentar lutar contra o destino. Existem coisas que são inevitáveis (…) lembra-te dos bons momentos de vez em quando servir-te-ão de refúgio”
“Sê aquilo que o teu coração manda e voarás longe
“(…) e que a estrela da tua coragem brilhe sempre”
“Acreditai que daria todo o tempo que me resta de vida pela oportunidade de vos poder seguir”
“Temiam talvez, dar voz aos seus pensamentos mais negativos, para verificar depois que eles se tornavam reais ou até expressar as suas vagas esperanças, com medo que estas se tornassem vãs”
“A memória de quem foste, de como viveste e também de como e por quem morreste nunca será apagada. Voa longe Arasen.”
“Há sempre um futuro (…) e eu saberei sempre onde te encontrar”.
Toma lá o testamento Carlinha
Templates by Morgana 13 Luas

"I am at two with nature."
Listenning to: Die die my darling by Nemhain
Templates by Morgana 13 Luas

Alice no país das insolvências

O sol assemelhava-se a uma aboboreira que tinha rebentado em flores flavas, a terra deslustrava-se à medida que o relógio se ia adiantando e o céu escurecia o seu cerúleo até se tornar num azul-da-prússia como uma bonita rosa híbrida abrochando novamente até ao seu estado original.
Alice contava o número de gotas de água que caiam no charco, eram os seus olhos destilando-se, há tanto tempo o faziam que perder a viveza da sua estranha cor énea. Os cabelos longos e revestidos a douraduras radiosas prendiam-se num toucado restringido, eram como um botão encasulado à espera de desabrolhar. No vento cabriolavam as folhas avelhentadas de um livro cotiado, tinham caligrafias cuidadas e perfeitamente alinhadas, mas agora esfarelavam-se como que, esmagadas por mãos de titãs.
O país das maravilhas perdera-se para sempre tornando-se nada mais do que um juncado de flores vulgares.
Não sabia onde estava, parecia-lhe apenas um país árido, um retrato a sépia, sem lais melodiosas, vergas-áureas prodigiosas, sem fadinhas de cachos anelados, nem gnomos fofos e de olhos de turquesa pálida.
Oh quanto infrutescência e inflorescência!!! Quantos bobos de momices e ditos chocarreiros! Quantas áulicas figuras que faltavam à verdade, exuberância de seiva em flores despeteladas, quanta luxúria em peitos de silicone, gula nos anafados senhores feudais, carteiras que excedem mas nem querem dar os restos, balanças desiguais que pendem mais de um lado do que para o outro, tergiversados discursos…
Alice quis fugir, mas estava rodeada de belzebus, mafarricos de máscaras bonitinhas. Belial, o demónio de todas as mentiras, sobejava em altura, as mãos anafadas e compridas depressa a agarraram, de repente começaram a surgir Lucianas Abreu por todos os lados, de mortais peitos siliconados, oh quanta adversidade!
Guitarras portuguesas tocam as suas roufenhas músicas, ah saudade saudade!!! Essa arte de fixar numa chapa sensível, por meio da luz, a imagem dos objectos, não há quem celebrasse em verso essa grandeza do passado do que os mortos!!!
De súbito , um Mephisto sedutor que vem de mãos dadas com a desgraça , fechando todas as maternidades e escolas, exaurindo todos os cofres.
Alice consegue fugir, refugia-se numa casa, está praticamente vazia, sem querer, carrega num botão do comando da televisão, número quatro, sexta-feira treze e aparece um jurássico e impregnado de botox belzebu. Afinal descobriu que era uma apresentadora de televisão.
Continua a correr, exsuda-se como se lentamente desaparecesse, o coração coarcta-se em espinhosos casulos, é-lhe difícil respirar, não demora muito até esvaziarem o resto da casa…
A noite finalmente chega, afumando toda a terra, o retrato fica a preto e branco. Vampiros sugam lentamente todas as pessoas, mesmo sem elas darem conta.
Se existe mesmo a metempsicose, Alice preferiria reencarnar num cãozinho, haverá algo melhor do que dormir todo o dia, comer e receber festinhas ? (se calhar ainda lhe dão o ordenado mínimo).
Que verdadeira comédia divina de Dante, infernus, samsara, sheol apertadinho para milhares de pessoas!!! Lilith és uma verdadeira parideira!!!
Foi aí que Alice descobriu que estava no país da insolvências, numa outra palavra, em Portugal.

"Anger makes dull men witty, but it keeps them poor."

Listening to Templates by Morgana 13 Luas Kalmah - Holy symphony of war